E de repente...trabalho!






Entrar no mercado de trabalho nunca é fácil, seja qual for a profissão, mas confesso que a minha experiência tem sido um pouco agridoce.
Hoje falo-vos de tudo neste post, onde vos dou a conhecer um bocadinho mais do que é o dia-a-dia de um Médico Dentista.
Quando começamos um curso na faculdade, é-nos sempre transmitida a imagem de que aquela sim, é a profissão do futuro, que somos imprescindíveis numa sociedade e que vamos ser muito bem sucedidos (pelo menos, gostava de acreditar que acontece em todos os cursos, pelo menos no meu aconteceu).
Os anos vão passando e chegamos perto do fim,  as horas de estudo, noitadas e dias passados trancada em casa parecem ter um propósito. A tese fez-se, bem cedinho felizmente, apresentou-se e a nota foi muito gratificante. Até que de repente, acaba a clínica, acaba o curso e vêm as férias.

Até aqui tudo muito lindo e bonito, mas sendo eu quem sou, acreditem, não tive umas férias santas. Ainda nem Agosto tinha acabado e eu já tinha o meu CV e Carta de Apresentação prontos para começar a enviar, mesmo não tendo ainda a cédula profissional.

Quando fazemos o Mestrado Integrado em Medicina Dentária acarretamos várias responsabilidades, principalmente perante os nossos pacientes. 

Depois da faculdade terminar, senti uma necessidade enorme de encontrar trabalho, por várias razões, mas acima de tudo, por querer ainda mais a minha independência e começar a realizar alguns dos planos que tenho, mal sabia eu o quão difícil é.

O mercado de trabalho na Medicina Dentária está muito sobrecarregado, somos muitos Dentistas, poucos pacientes e muitas seguradoras. Hoje em dia é difícil encontrar uma pessoa que não procure ir a um dentista através de um acordo, eu própria o faço.
A maioria das percentagens (sim nós ganhamos à percentagem sobre os actos clínicos que efectuamos) são baixas e acrescendo a isto, ainda estão os impostos, os seguros de acidentes de trabalho, as quotas para pertencer à Ordem dos Médicos Dentistas (sem a qual não somos autorizados a trabalhar)....
Temos de nos tornar trabalhadores em regime de prestação de serviços, o que se traduz em passar um recibo verde ao fim do mês, que consequentemente nos encaixa numa classe de trabalho precário.
Parece ridículo não é? Como é que alguém estuda 5 anos, se torna Médico Dentista, tendo nas suas mãos pacientes que precisam de ajuda, que lidam com patologias muitas vezes infecto-contagiosas, e chegam ao fim do mês e nem 400€ ganham se for preciso. É a nossa realidade.

Ao contrário de uma pessoa contratada, o nosso regime também nos permite alguma flexibilidade, trabalhamos por manhãs e tardes, o que significa que podemos numa manhã trabalhar no Guincho e fazer a tarde no Parque das Nações, conclusão, acabamos por tentar arranjar sempre mais alguma clínica para preencher qualquer buraquinho no horário para tentarmos chegar ao fim do mês com algo semelhante a um salário.

Conheço pessoas que moram em Lisboa e vão um dia por semana para Beja ou para a Lourinhã trabalhar, para longe mesmo. Ser Dentista é pôr de lado as preferências e abraçar uma vida de nómada durante o dia.

Eu tive a sorte de estar em duas clínicas (ainda) relativamente perto de casa e estou a adorar a experiência, mas confesso que me entristece não ver uma agenda cheia ou ter situações em que espero uma hora pela chegada de um paciente que acaba por faltar...é a nossa realidade.

Com isto, quero dizer-vos que não se iludam. Lutem pelos vossos sonhos e pelo que gostam, eu sou completamente apaixonada pela minha profissão mas sinto que fui defraudada durante este tempo todo. Foi-me vendida uma imagem de uma profissão em ascensão e infelizmente não é o que está a acontecer. Vejo colegas minhas em piores situações que eu, somos jovens é verdade, mas a maioria de nós tem 25 anos e não tem grandes perspectivas de dar mais passos nos próximos tempos. 

Sei que ainda está tudo a começar e anseio por continuar a crescer na minha profissão, mas às vezes parece impossível.

Falem-me das vossas experiências de trabalho!


5 comentários:

  1. Infelizmente não tenho grande experiência de trabalho, quer dizer, ter tenho, mas não estudei para ter a minha profissão de sonho. Tento trabalhar com o que aparece e que goste também, o que hoje em dia é muito complicado fazer o que se gosta.
    Nunca pensei que um dentista passava por isso tudo... lá está a tal ilusão de que falas!
    Eu desejo-te muita sorte e tudo de bom!

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  2. Estudei para ser jornalista. Faço tudo menos isso. No meio disto tudo, entristece-me que algumas pessoas sejam tratadas como jornalistas, no entanto, nem carteira têm ou pior, nem estudaram para tal. 95% dos estágios nesta área não são remunerados para além de ter um horário indecente. Mas, só se tem carteira de jornalista (quem estudou na área) depois de 1 ano a fazer estágios. Justo? Não acredito. Mas, no meio disto tudo, faz tudo parte. A nossa paixão pela nossa profissão é o que nos faz lutar. Mesmo! :) Força nisso, sei que vais ser bem sucedida.

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  3. Eu estudei Radiologia, terminei em 2015 e até agora a unica oportunidade de exercer que tive foi um estagio voluntario. Agora estou a fazer o mestrado, mas sinceramente nao sei se vale o gasto de tempo e dinheiro pois nao sei se me levará a algum lado, visto que o emprego em Radiologia está pela hora da morte. As unicas ofertas que existem sao para inglaterra. E a cereja no topo do bolo: nao estudei para aquilo que realmente era a minha vocacao, mas enfim, tornava-se menos doloroso se ao menos pudesse exercer, mas infelizmente nao tenho oportunidade para tal, entao vou fazendo aquilo que vai aparecendo.é triste mas este é nosso país e quem nao quer sair de cá que é o meu caso, tem de aguentar! Desejo-te muita sorte, vai tudo correr bem! ;) Beijinho

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    Contamos contigo? :)

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